Vi há bocado no telejornal que há 15 novos casos de gripe das aves na Turquia e
bocejei.
Bah gripe das aves, não me preocupa. O meu bocejo até nem foi porque não acredito nada nestes alarmismos cíclicos que agora andam sempre nos telejornais, ele é a Pneumonia Atípica, a Doença Das Vacas Loucas e essas que tais. Não, bocejei porque simplesmente
esta doença em particular não assusta mesmo. Não me assusta a mim nem a niguém que eu conheço, isto apesar dos "cientistas" e "médicos" avisarem que pode vir a ser a doença mais mortal de sempre e coiso. E porque raio é que a gripe das aves não assusta (quase) ninguém?
Porque se chama
gripe das aves!! Um gajo pensa
"Oh, gripe já eu tive muitas vezes, alguma vez uma gripe mata alguém? A mim só me fez ficar dois dias em casa, até era bacano, passava o dia a ver porno na net". Pois é, os médicos tinham de dar à doença potencialmente mais mortífera de sempre o nome de uma das doenças mais comuns de sempre, isto é que é inteligência.
Conselho aos médicos: de futuro se quiserem alertar as pessoas para uma "pandemia" potencialmente catastrófica não lhe chamem "gripe". Se lhe tivessem chamado "
cancro das aves" a ver se não andava aí tudo preocupado a tentar evitar o contágio. Ou "
sida das aves", era a mesma coisa. Já nem digo para lhe chamarem o melhor nome possível para gerar o pânico, "
peste negra das aves", isso também era demais. Agora "gripe das aves" é que é mesmo fraquinho.
Ainda por cima "das aves", que são bichitos tão pequeninos, a mim, que peso dez vezes mais que uma ave, de certeza que não faz mal. Se dissessem que era "das avestruzes" ainda vá, aquilo ainda é um bicho grande, mas quando falam em aves um gajo pensa é em pardais e frangos. "Ó Maiquel não apanhes frio que ainda ficas com a
tosse dos passarinhos" - ui, que medo, piu piu.
se isto fôr perigoso o mais certo é morrermos todos, este nome não põe ninguém em alertaA partir destas constatações decidi elaborar o Método Maiquelnaite para nomear futuras (e reais) ameaças à saúde da Humanidade de forma a que as pessoas se apercebam bem do grau da ameaça (terrível ou não) que sobre elas paira. Uma ameaça a sério precisa de um nome que ponha as pessoas em alerta, não basta andarem médicos na televisão a dizer que vamos todos morrer. Desde já declaro que doarei este meu trabalho à Organização Mundial de Saúde para que
milhões de vidas possam mais facilmente ser salvas no futuro. Então é assim:
***TEORIA GERAL DA NOMENCLATURA EPIDÉMICA***por Maiquelnaite1) A PRIMEIRA PARTE DO NOME. SIDA, Cancro, Peste Negra, Antrax e equivalentes - bons nomes para assustar as populações de morte. Usar só em casos extremos.
. Ébola, Dengue, Malária e equivalentes - nome muito assustador, embora não tanto quanto os anteriores. Ideal para nomear epidemias em países menos desenvolvidos que tenham poucas probabilidades de chegar até nós.
. Varíola, Leucemia, Raiva, Pneumonia e equivalentes - ainda menos poderosos, bons para nomear doenças apenas
relativamente perigosas para a vida.
. Varicela, Sarampo, Bócio e equivalentes - para epidemias mais fraquinhas, estes nomes começam a soar-nos já bastante familiares.
. Gripe, Tosse, Resfriado e equivalentes - para coisas que quase de certeza não vão fazer muito mal mas ainda mereçam que se fale delas.
. Hemorróidas, Bicha Solitária, Soduku - nomes não apropriados para nomear epidemias, seria uma indignidade dizer que morreram milhões de pessoas por causa da "Hemorróida Espanhola". Apenas refiro estes nomes aqui porque "hemorróida" é das melhores palavras de sempre e "bicha solitária" é uma expressão pura e simplesmente engraçada.
"Soduku" além de indigno ("a causa de morte foi soduku aftoso") podia ser confundido com o popular jogo, a maioria das pessoas não sabe que é o nome de uma doença real ( conferir
aqui). E aposto que até você que está a ler este estudo pensava que eu estava a mandar uma boca ao jogo, a insinuar jocosamente que o famoso passatempo que tem tomado o mundo de assalto é uma doença. Tsk tsk... ISTO É UM ESTUDO SÉRIO, NÃO ANDAMOS AQUI A BRINCAR!
Nota:
nunca, mas mesmo nunca usar o prefixo "bronco" (como em "broncopneumonia") porque as pessoas vão pensar que só os broncos a apanham e não ligam.
um primeiro nome forte pode ser a chave do sucesso* * *2) A SEGUNDA PARTE DO NOME. Animais (...das vacas, ...dos ratos, ...do cavalo, etc) - caso o risco de epidemia seja sério deverá ser um animal grande, se fôr pequeno o risco deve ser pequeno o animal. Mas é preciso ter em atenção que os nomes de animais
nem sempre ligam bem com o primeiro nome (os da secção 1 deste estudo). Por exemplo "Cancro Da Baleia" não soa bem e por isso não assusta tanto como "Ébola De Elefante", embora tenha um prefixo mais forte.
Há que ter em atenção também que nomes de animais quando conjugados com o pronome "Raiva" podem
potenciar bastante o a ameaça, p. ex: "Raiva Do Rinoceronte" parece pior que "Dengue do Iaque" embora o prefixo "Dengue" seja mais forte que "Raiva"; ou inversamente
diminui-la: "Raiva Do Koala" assusta menos que "Gripe Das Aves".
Há ainda que ter o cuidado de nunca usar nomes de animais que sejam desconsiderados pela sociedade como o porco ou o camelo: "Isso da Febre Dos Burros não me assusta porque eu não sou burro!".
Por todos estes motivos desaconselha-se o uso de animais para nomear potenciais epidemias.
. Povos ou países (...Francesa, ...Americana, ...Russa, etc) - não é má ideia se fôr um povo ou país particularmente abjecto, violento, estranho ou desagradável para a maioria das pessoas. A Gripe Espanhola do ínicio do século 20 teria sido muito menos mortal se a população tivesse sido avisada que vinha aí a Gripe Chinesa- ui esses chineses são lixados. Se se tratar de uma epidemia pouco ameaçadora deve usar-se um nome de um povo ou país mais soft, estilo a "Tosse De Andorra".
. Palavras que parecem termos médicos (...convulsa, ...aftosa, ...tifóide, ...espongiforme) - Muito bons para usar em quase todas as situações porque parecem mesmo nome de doença.
um segundo nome fraco ajuda a diminuir o grau de alarme * * *3) ADJECTIVOS (OPCIONAL)O uso de adjectivos deve servir para delimitar melhor o grau de assustamento que se quer. O adjectivo pode diminuir o pânico pretendido como no caso de
Loucas na famosa Doença Das Vacas, que lhe dava um toque de humor, ou os adjectivos "Queriduchos", "Fofinhos", "Sportinguistas", etc.
O inverso pode acontecer com os adjectivos "Ensandecidos","Furiosos" ou "Sanguinários". Em casos extremos pode usar-se expressões como "Nazis" ou "Pedófilos", mas só nos casos-limite.
esta epidemia interessa até ao menino jesus* * *4) CONCLUSÃOEste estudo, sendo resultado de anos e anos de pesquisa,
não pretende apenas apontar
linhas gerais ou
possíveis soluções para o problema da nomenclatura epidémica, pretende dizer preto no branco como é que se deve fazer isto. Odeio esses estudos que demoram anos e depois são só "linhas orientadoras", isso para mim é merda. Portanto ficamos conversados em relação a isto.
Guardei umas palavras finais para agradecer a alguém sem o qual não teria sido possível elaborar este estudo e cujo trabalho incansável contribuiu de forma decisiva para o seu sucesso: eu próprio. Maiquel, foi um prazer e uma honra trabalhar comigo e ajudar a salvar milhões de vidas, provavelmente também a da pessoa que está agora a ler isto. Bem hajam todos.